Depoimentos

FIZ O CONCURSO, ACERTEI 17 DAS 20 QUESTÕES QUE COMPUNHAM A PROVA DE PORTUGUÊS E FUI PRESENTEADO COM O 1º LUGAR,  NO PRIMEIRO CONCURSO QUE EU FIZ NA VIDA. (Paulo - Areado-MG)

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Linguagem e ensino

Refletir sobre a linguagem implica apoiar-se num tripé: palavra, frase, texto (discurso). Historicamente, os estudos sobre a linguagem centravam-se na palavra e sua classificação. Na cultura ocidental, as primeiras reflexões sobre a palavra podem ser encontradas nos pré-socráticos, em Platão e em Aristóteles. O estudo da palavra como elemento essencial e caracterizador da linguagem humana está também na base dos estudos retóricos e gramaticais. Na medida em que a palavra orienta a reflexão sobre a linguagem, a questão do sentido passa a ser capital.

Num momento seguinte e bastante influenciado pela lógica formal, o foco volta-se para as relações lógicas que se estabelecem entre palavras formando frases. O foco dos estudos linguísticos centrados na frase dá nova orientação à gramática, que passa ser uma gramática da frase. O estudo da organização dos enunciados possibilita um desenvolvimento dos estudos retóricos, vistos como arte de persuadir, e estilísticos. Ressalte-se, no entanto, que a reflexão sobre a frase (sentença, oração, proposição) não é característico exclusivo daquilo que se convencionou chamar de uma abordagem tradicional, na medida em que a reflexão sobre como se organizam as sentenças está na base da teoria de Chomsky. No entanto, não há como negar que o estudo da língua a partir de frases predominou (e ainda predomina em larga escala) no ensino de língua materna nas nossas escolas.

Apenas mais recentemente, e graças aos avanços da Linguística, particularmente da Linguística Textual e da Análise do Discurso, as reflexões sobre a linguagem estenderam-se para o texto e para o discurso. Os estudos da pragmática e da teoria da enunciação também contribuíram no sentido de que a reflexão sobre a linguagem extrapolasse a materialidade do texto e passasse a dar conta de suas condições de produção e recepção. Questões relativas ao papel dos interlocutores e sua posição social, contexto cognitivo, gênero e superestrutura textual passaram a fazer parte não só da agenda de linguistas e pesquisadores, mas também de parte dos docentes.

Isso teve impacto até mesmo naquela parte do estudo de língua mais refratária a mudanças: a gramática. A questão das condições de produção do texto associada ao papel dos interlocutores acarretou uma mudança até mesmo no conceito de norma padrão. Nesse sentido, não se pode negar a grande contribuição da Sociolinguística e da Análise da Conversação.

Entendemos que o trabalho com a linguagem em situações de ensino e aprendizagem deve privilegiar a língua em uso, portanto a matéria-prima do professor deve ser o texto. No entanto, isso não deve implicar que o professor deixe de lado o estudo da palavra, sobretudo, destacando seu papel semântico e da frase, como forma lógica de estruturação de enunciados portadores de sentido. Para nós, é fundamental que o docente tenha bem clara sua concepção de linguagem  para se voltar para um trabalho que discuta a linguagem (palavra, frase, texto) em situações concretas de uso, no sentido de desenvolver não só a competência linguística do estudante, mas também sua competência textual, fazendo dele um proficiente leitor e produtor de textos.

 

 

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