Depoimentos

FIZ O CONCURSO, ACERTEI 17 DAS 20 QUESTÕES QUE COMPUNHAM A PROVA DE PORTUGUÊS E FUI PRESENTEADO COM O 1º LUGAR,  NO PRIMEIRO CONCURSO QUE EU FIZ NA VIDA. (Paulo - Areado-MG)

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O Acordo Ortográfico e as letras K, W e Y

Com a entrada em vigor do  Acordo Ortográfico de 1990 algumas questões começam a ser levantadas por professores de língua portuguesa. Uma delas, bastante interessante, que me foi apresentada é a seguinte: as letras k, w e y,que agora fazem parte de nosso alfabeto, são vogais, consoantes ou semivogais?

Em primeiro lugar é bom deixar claro que letras não são vogais, nem semivogais, nem consoantes, mas representam fonemas vocálicos, semivocálicos e consonantais. Pelo acordo, incluíram-se mais três letras no alfabeto (k, w e y), mas os fonemas da língua portuguesa continuam os mesmos, ou seja, não se acrescentou nenhum fonema à língua portuguesa. O uso dessas letras também continua sendo o mesmo (nomes estrangeiros, abreviaturas, símbolos etc. ), ou seja, quase nada mudou. A única coisa que muda é que elas agora passam a fazer parte de nosso alfabeto. A questão proposta é pertinente: Se as letras representam fonemas e estes se classificam em vogais, semivogais e consoantes, que tipo de fonema representam as letras k, w e y?

Para resolver essa questão, devemos sempre levar em conta o som (fonema) que essas letras representam. Comecemos pelo k, que representa a consoante /k/: Kátia, kart, kantismo etc.

O w pode tanto representar o fonema vocálico /u/ (Wilson, windsurfe etc.) como o fonema consonantal /v/ (Wágner, Walita etc.).

O y é um pouco mais complicado. Tudo depende de como ele se comporta na sílaba. Se for base de sílaba, classifica-se como vogal; se estiver apoiado numa vogal, é semivogal. Exemplo: office-boy (semivogal): em boy temos um ditongo decrescente (oy). Em chantily, derby, delivery temos uma vogal. Observem-se a separação silábica e a pronúncia: chan-ti-ly (xã-ti-li); der-by (dér-bi); de-li-ve-ry (de-lí-ve-ri).

O problema está em palavras como Yara e Yasmim, já que em palavras como essas ocorre flutuação de pronúncia, pois elas podem ser pronunciadas de duas maneiras: Ya-ra, Yas-mim ou Y-a-ra, Y-as-min, ou seja, ora o y se comporta como semivogal, ora como vogal. Esse é o mesmo fenômeno que ocorre com a letra i em encontros como ia-ie-io, em que o i ora é pronunciado como semivogal, ora como vogal. Mário pode ser pronunciado Má-rio (o i é semivogal) ou Má-ri-o (o i é vogal). Os encontros ia-ie-io (e outros) são flutuantes: co-lô-nia / co-lô-ni-a; sé-rie / sé-ri-e; e-xí-mio / e-xí-mi-o; Ia-ra / I-a-ra; Ias-mim / I-as-mim. Eu adoto a pronúncia em que esse fonema faz um ditongo, portanto classifico-o como semivogal, mas ressalvo que esses encontros podem ser pronunciados como hiato (então o i seria uma vogal). O nome técnico para isso é diérese (transformação de um ditongo em hiato). Como o y representa esses mesmos fonemas, a classificação será a mesma: Ya-ra (semivogal); Y-a-ra (vogal). Como se trata de diérese, eu considero a pronúncia normal como semivogal, mas admito que ele possa ser pronunciado como vogal. Em síntese: para o y, ocorre a mesma coisa com o i em palavras como abecedário, calvície, ciência.

Finalizando, chamamos a atenção que em palavras como byte e byroniano, a letra y não representa nem vogal, nem semivogal, mas um ditongo oral decrescente /ai /: bai-te; bai-ro-ni-a-no.

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