A máscara da morte rubra

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No artigo, trago mais uma vez um conto de Edgar Allan Poe (1809 – 1841). Há certos contistas que escreveram tantos contos bons que me obrigo, vez ou outra, a retomá-los neste espaço e, por mais contos que traga desses autores, a lista sempre estará incompleta. Poe, Tchekhov e Maupassant pertencem a esse time. O conto de Poe que trago é hoje, “A máscara da morte rubra”, publicado pela primeira vez em 1842, encaixa-se na categoria de contos de terror. Vamos a ele.

“A máscara da morte rubra” narra que uma cidade fora dominada por uma peste terrível e fatal que dizimara metade de sua população. Era chamada de rubra porque sua marca era o sangue, que vazava pelos poros. Marcas vermelhas, principalmente no rosto, marcavam o empesteado, afastando-o do auxílio de seus semelhantes, condenando-o a sofrer fortes dores até morrer e decompor-se.

Quando a peste atinge os domínios do destemido Príncipe Próspero, atingindo metade de seus habitantes, o sagaz Príncipe chama mil cavalheiros e damas sadios de sua corte para se recolherem a uma abadia fortificada. Foi tudo providenciado para dar o máximo de segurança à abadia para impedir que a Morte Rubra ali penetrasse.

Passaram-se cinco ou seis meses e a peste rubra grassando lá fora, e o Príncipe houve por bem oferecer um baile de máscaras. Um baile luxuoso que ocorreria em sete salões, mas, mesmo com as portas todas abertas, só era possível ver um de cada vez. Os salões tinham janelas em vitrais cuja cor refletia a decoração do salão. Um era azul; outro, verde; outro, dourado; outro, alaranjado; outro, branco; outro, roxo. O sétimo salão, embora tivesse mobília negra, seus vitrais reproduziam a cor vermelha. Em nenhum dos salões havia qualquer tipo de iluminação, mas nos corredores havia uma espécie de vaso com um braseiro que projetava seus raios e iluminava a sala. Na sala com os móveis negros, essa iluminação tinha um caráter lívido, conferindo aspecto estranho às pessoas e assim poucos eram os que tinham coragem de entrar nesse salão, em que havia também um gigante relógio de ébano, que, quando o carrilhão soava, as pessoas ficavam pálidas.

A festa corria alegre e com música, mas, quando o carrilhão soava, tudo parava. Em seguida a festa voltava ao normal, até que o relógio deu meia noite, quando perceberam um vulto mascarado que não tinha chamado a atenção de ninguém, causando um enorme burburinho que espalhava horror, pois que o mascarado se fantasiara de a Morte Rubra. Vendo isso, o Príncipe pediu a seus súditos que agarrassem o mascarado para que fosse enforcado. No entanto, ninguém ousou apanhar o mascarado.

O Príncipe vai atrás do mascarado e, ao chegar ao salão negro, tenta matá-lo com um punhal, no entanto é ele quem cai morto. A multidão, agora tomada de coragem, tenta apanhar o mascarado, mas percebe que sob suas vestes nada havia e reconheceram que ali estava a Morte Rubra e um a um foram caindo mortos, o braseiro apagou, o relógio parou de soar “E o iluminado poder da Treva, da Ruína e da Morte Rubra dominou tudo”. 

2 Comentários


  1. Poe é um dos grandes expoentes da literatura de terror.
    Não sou muito especialista no assunto, entretanto percebo que há, paradoxalmente, uma certa “sutileza” nos contos do Poe em detrimento com as histórias de terror modernas (ex. Stephen King), o que cativa os estudantes do ensino fundamental e médio, pois na alma humana há sempre uma curiosidade pelo oculto e pelas coisas que nos dá medo. Bem adaptados, os contos de Poe pode dar ótimos resultados em sala de aula para diversos públicos.

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