Copa do mundo: Brasil eliminado pela 3a. vez neste século

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Século, como se sabe, é um substantivo que designa o período de cem anos contados a partir de um marco. Assim, estamos no século XXI d.C, cujo início se deu em 2001 e se estenderá até 2100.

Século é um substantivo que guarda alguma semelhança com a numerais, como década, semestre, quarentena, milênio etc. Alguns gramáticos chamam esses substantivos de numerais coletivos.

Se o século XXI começou em 2001 e estamos em 2018, podemos dizer que estamos ainda no começo do século, pois ainda não se completam duas décadas, estamos mais longe da metade do século do que de seu início.

Todas essas reflexões para comentar a manchete de primeira página da Folha de S. Paulo de hoje que reproduzo abaixo.

Folha de S. Paulo
Capa da Folha de S. Paulo, edição de 7 de julho de 2018.

Considerando que a Copa acontece a cada 4 anos e o século atual teve início em 2001, tivemos 4 Copas já encerradas, (2002, Japão e Coreia); 2006 (Alemanha); 2010 (África do Sul); 2014 (Brasil) e uma em andamento (2018, Rússia), da qual o Brasil já está fora. Então o Brasil disputou 5 Copas neste século, foi campeão em uma (2002), eliminado na semifinal em outra (2014) e eliminado nas quartas em três (2006, 2010, 2018).

Estes são os números e não há o que contestar. A manchete da Folha, embora verdadeira, chama a atenção pelo lugar em que aparece. Por que colocar como manchete principal do “maior jornal do país” essa manchete que usa dado numérico? Não há como não ver aí um discurso implícito que condena o desempenho da nossa seleção neste século. Algo fica subliminar: “desempenho pífio”; “não consegue ir além das quartas”.

Agora, se a Folha se apoia em números, a estatística é favorável ao Brasil: de 5 Copas disputadas, O Brasil foi campeão em uma e semifinalista em outra. Em nenhuma foi eliminada na primeira fase como a Alemanha em 2018, a Espanha, em 2014 e a Itália em 2010.

A Folha tem todo o direito de achar que o desempenho da Seleção foi ruim nesta Copa. Mas no século foi ruim? Eu também considero que o desempenho em 2018 foi bem abaixo das expectativas, mas olhando os números relativos ao século não posso dizer que o desempenho neste século foi tuim.

A Folha se esconde atrás dos números para criar um efeito de sentido de isenção, de objetividade, de imparcialidade. Mas os dados apresentados não deixam mentir e o leitor percebe logo que os números desmentem a opinião que o jornal tenta passar subliminarmente.

3 Comentários


  1. Em relação à Copa do Mundo de Futebol, se o Brasil não for campeão, sempre será considerado um resultado ruim.

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