Nomes derivados de nomes próprios

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Entre os processos de formação de palavras em português, o mais comum é a derivação que consiste fundamentalmente no acréscimo de um afixo a uma palavra primitiva.

O afixo colocado antes do radical, o elemento base da palavra, chama-se prefixo; o colocado após chama-se sufixo. Dessa forma há dois processos básicos de derivação: a prefixal (por acréscimo de prefixo) e a sufixal (por acréscimo de sufixo). Como exemplos de derivação prefixal, podemos citar as palavras infeliz (in + feliz) e desleal (des + leal). Como exemplos de derivação sufixal, citamos felizmente (feliz + mente) e lealdade (leal + dade).

Uma palavra pode ser formada por acréscimo SIMULTÂNEO de prefixo e sufixo como entristecer (en + trist + ecer) e aterrorizar ( a+ terror + izar). Nesse caso, dizemos que ocorreu derivação parassintética. Só haverá parassíntese se prefixo é sufixo se agregarem SIMULTANEAMENTE ao radical. Observe que não existem em português as palavras entriste, tristecer, aterror e terrorizar, o que mostra que, em entristecer e aterrorizar, prefixo e sufixo juntaram-se ao mesmo tempo ao radical.

Em palavras como infelizmente (in + feliz + mente) e deslealdade (des + leal + dade), embora apresentem prefixo e sufixo, não ocorre a parassíntese porque prefixo e sufixo não se agregaram AO MESMO TEMPO ao radical. Veja que há em português as palavras infeliz, felizmente, desleal de lealdade. Nesse caso, dizemos que ocorreu derivação prefixal e sufixal.

Um caso bastante interessante de derivação é aquela em que uma palavra comum, seja substantivo, adjetivo ou verbo, derivou de um substantivo próprio. Como exemplos, podemos citar: aristotélico, platônico, maquiavélico (de Aristóteles, Platão e Maquiavel, respectivamente); pasteurizar (verbo, de Pasteur).

Os falantes conseguem reconhecer que sadismo veio de Sade, que dantesco veio de Dante. Mas nem sempre é possível a identificação do nome comum com o nome próprio que lhe deu origem, porque ela se perdeu no tempo pelo afrouxamento no uso do nome próprio. Veja alguns exemplos curiosos.

Carrasco, nome do português Belchior Nunes Carrasco.

Sanduíche, de John Montagu, conde de Sandwich, que numa mesa de jogo ficou durante 24 horas se alimentado apenas de fatias de carne fria colocadas entre duas torradas.

Estrogonofe de Paulo Stroganov, conde e diplomata russo, que teria inventado esse tipo de prato

Baioneta, de Bayonne, cidade dos Pirineus, onde se fabricou esse tipo de arma.

Guilhotina, de Guillotin, médico francês que preconizava o uso dessa máquina para abreviar o sofrimento dos condenados.

Mausoléu, de Mausolo, rei da Cária, cidade da Ásia Menor, em Halicarnasso. Mausoléu dera o túmulo de Mausolo.

Baderna, de Marietta Baderna, dançarina italiana que veio para o Rio de Janeiro em 1849. Sua conduta causava estupefação entre os admiradores, chamados de “badernas”.

Gandula, de Bernardo Gandulla, jogador do Vasco da Gama na década de 1930, que tinha o hábito de buscar as bolas que saíam de campo.

Por fim, registro que o substantivo bauru, nome de um lanche feito com presunto e queijo, provém de Bauru, apelido de Casimiro Pinto Neto, estudante da Faculdade de Direito do Largo São Francisco em São Paulo, que tinha esse apelido por ser natural da cidade paulista de Bauru. Deve-se a Casimiro, o Bauru, a invenção desse sanduíche em 1937 no bar Pont Chic, localizado no Largo do Paissandu em São Paulo. O autêntico bauru, que é diferente dos baurus que se servem por aí, ainda pode ser provado no Ponto Chic, onde há um busto do inventor do bauru.

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