O estupro de Lucrécia

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The Rape of Lucrece, de William Shakespeare, é um poema narrativo que, em português se traduz por O estupro de Lucrécia. Alguns preferem traduzir por O rapto de Lucrécia, tradução a meu ver inadequada, pois não houve o que em português costumamos chamar de rapto, mas sim um estupro.
Embora o poema tenha sido publicado em 1594, é atualíssimo e merece ser lido e discutido. A história é inspirada na lenda da fundação de Roma e nas Metamorfoses, de Ovídio, uma obra do século VIII d.C.
O poema de Shakespeare conta o estupro da romana Lucrécia, esposa de Colatino. Lucrécia é violada em sua própria casa (não houve rapto, portanto), onde se encontrava só, por Sextus Tarquinius, o Soberbo. O assédio de Tarquinius sobre Lucrécia é terrível. Ele tenta obter seu intento primeiro por palavras num discurso em que imputa à própria Lucrécia seus comportamento lascivo, ou seja, ele não se vê como estuprador num primeiro momento, mas como aquele que dará a Lucrécia o que ela deseja. O estupro é como uma forma de Tarquinius provar a infidelidade da mulher.
Embora Lucrécia resista e tenta convencer Tarquínio a não consumar o ato, ele acaba estuprando a mulher do amigo. Transtornada, Lucrécia escreve uma carta a Colatino em que conta o episódio e a seguir se mata com usando um punhal.
O poema é belíssimo, com metáforas em que exploram a cromatização, particularmente do branco e do vermelho, mas um verso me chama a atenção, “a cobra sibila onde os doces pássaros cantam”. Um dado curioso: este verso é citado por Thomas Hardy, em Tess dos D’Urbevilles, no capítulo em se narra o estupro de Tess por Alec D’Urberville.
Tarquínio e Lucrécia por Ticiano. Óleo sobre tela, 1571.
O estupro de Lucrécia pode ser encontrado na Internet em sua versão original e em tradução para o espanhol (La violación de Lucrecia). As Metamorfoses, de Ovídio, podem ser lidas em tradução direta do latim para o português, feita por Domingos Lucas Dias, publicada numa edição bilíngue pela Editora 34.

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