Paternidade

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No artigo, discorro sobre a palavra paternidade. Trata-se de um vocábulo, como grande parte de nosso léxico, procedente do latim: paternitate. Na passagem do latim para o português o t intervocálico (um fonema linguodental oclusivo surdo) se sonoriza e se transforma em d: paterniTaTe se transforma em paterniDaDe.

Em Latim, paternitate é “sentimento de pai”, ou seja, não se aplica necessariamente ao pai biológico, mas àquele que mantém com relação a outrem sentimento de pai, tanto que o substantivo paternidade, precedido de Vossa, é usado para tratamento a religiosos: Dirijo-me a Vossa Paternidade. Em Latim, a relação sanguínea entre pai e filho não era expressa pela palavra paternitate, mas por parens ou genitor.

Em grego, a forma era patros (ou pateros), cujos sentidos são: ‘pai; avô ou antepassado; fundador; benfeitor’. Como se vê, também em grego, o patros não se restringe ao pai sanguíneo. Como o substantivo paternidade pode se referir a vários estados do sujeito, costumamos empregá-lo acompanhado de adjetivo: paternidade biológica (ou sanguínea), paternidade afetiva (ou socioafetiva), paternidade espúria (a resultante de impedimento para o casamento entre o pai e a mãe). Quanto à paternidade ilegítima (aquela resultante de prole com a mulher fora do casamento), podemos dizer que, no Brasil, essa deixou de existir.

A palavra paternidade não é empregada apenas para designar relação entre seres humanos (paternidade biológica ou afetiva). Numa transposição de significado baseada em traços de similaridade, constituindo um emprego metafórico portanto, paternidadedesigna também a autoria intelectual de uma obra, de uma descoberta, de um projeto, de uma invenção.

Quanto à palavra patrono, no português atual, ele aparece com usos diversos, mas tendo como ponto comum a ideia de proteção. Um santo patrono é aquele protege ou defende alguém, nesse sentido é o mesmo que padroeiro (S. Jorge é o patrono da Inglaterra). Usa-se também patrono para designar, numa instituição, aquele que tutela uma cadeira (Machado de Assis é o patrono da cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras). O advogado em relação a seu cliente é designado também por patrono (O patrono do réu requereu ao juiz um habeas corpus). Pode ser usada ainda para designar no ato da colação de grau o indivíduo que se homenageia e é escolhido como tutor da turma (Para patrono da turma de 2015 da Faculdade de Medicina, os formando escolheram o professor X). No âmbito civil e militar, dá-se o título de patrono à personalidade que protege uma classe ou um evento (Santos Dummont é o patrono da aviação; José Bonifácio é o patrono da Independência).

Em Latim, paternitate é “sentimento de pai”, ou seja, não se aplica necessariamente ao pai biológico, mas àquele que mantém com relação a outrem sentimento de pai, tanto que o substantivo paternidade, precedido de Vossa, é usado para tratamento a religiosos: Dirijo-me a Vossa Paternidade.

Em Latim, a relação sanguínea entre pai e filho não era expressa por paternitate, mas por parens ou genitor. Em grego, a forma era patros (ou pateros), cujos sentidos são: ‘pai; avô ou antepassado; fundador; benfeitor’. Como se vê, também em grego, o patros não se restringe ao pai sanguíneo.

Como o substantivo paternidade pode se referir a vários estados do sujeito, costumamos empregá-lo acompanhado de adjetivo: paternidade biológica (ou sanguínea), paternidade afetiva (ou socioafetiva), paternidade espúria (a resultante de impedimento para o casamento entre o pai e a mãe). Quanto à paternidade ilegítima (aquela resultante de prole com a mulher fora do casamento), podemos dizer que no Brasil essa deixou de existir.

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