Sadismo e ódio em “Brincar com veneno”

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Em post recente, falei sobre o conto “O homem que veio de longe”, de Ronaldo Correia de Brito, e prometi que voltaria a falar do autor cearense. Comento agora o conto “Brincar com veneno”, que também faz parte de Livro dos homens.

Narrado em terceira pessoa, o conto se desenvolve em torno de dois personagens, Heitor e Leocádia, que são casados há algum tempo e vivem no engenho que Heitor herdou com a morte do pai.

 Heitor fora estudar Medicina no Rio onde conheceu Leocádia. A morte repentina do pai, obrigou-o a retornar sem ter concluído o curso para cuidar do engenho. Dois anos depois, manda uma carta a Leocádia propondo-lhe o casamento. Casam-se por procuração e Leocádia vai viver com Heitor no engenho.

Heitor gostava desde pequeno de cavalos e Leocádia passa os dias cuidando da criação de cobras venenosas que mantém. Para ela, a serpente é o símbolo do mal e da sabedoria e “mestre das mulheres e da fecundidade, também é responsável pela menstruação, que resulta de sua mordida”.  

Leocádia impede que se dê comida a Caronte, o cavalo preferido de Heitor. Dessa forma, o animal vai morrendo de fome porque Leocádia impede que os empregados alimentem Caronte. Quer que ele morra seco como ela “condenada a viver com o útero vazio”. Heitor padece com o sofrimento do animal. Leocádia não é apenas má, é também extremamente sádica. O sofrimento que impõe ao cavalo é uma forma de punir Heitor. E o pune ainda insinuando-se a ele por meio de sua sensualidade, não escondendo de Heitor seus desejos sexuais reprimidos.

O casal está conversando na sala quando ouvem os relinchos de Caronte, que está morrendo. Leocádia diz ao marido que a ela só resta resignar-se, partir ou morrer. Levanta-se e caminha em direção às serpentes que cria. Heitor quer gritar, mas sabia que não seria ouvido. Tenta-se mover da cadeira, mas as pernas não obedecem: “estavam mortas, desde o dia em que Caronte derrubou-o da sela”.

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