A imaginação educada

A imaginação educada

Tempo de leitura: 2 minutos

No começo dos anos 1970, no curso de Letras da USP, os professores pediam que lêssemos a Anatomia da crítica, de Northop Frye. Não o livro inteiro, é claro, pois essa obra é um calhamaço de 584 páginas. Líamos e discutíamos trechos dos quatro ensaios da obra. Não sei se ainda nas faculdades de Letras pedem a leitura de Frye.

Tenho cá meu volume do Anatomia da Crítica, numa edição da É Realizações, em traduçxão para o português de Marcus de Martini. Não é um livro fácil, mas sua leitura é necessária; por isso volta e meia retorno a ele, embora nunca o tenha lido inteiro.

Descobri sem querer que há um outro livro do Frye, chamado A imaginação educada, publicado pela Vide Editorial, com tradução de Adriel Teixeira, Bruno Geraidine e Cristiano Gomes. Ao contrário de Anatomia da Crítica, é um livro fino (134 p.) e pode ser lido numa sentada.

O livro apresenta o texto de seis palestras de meia hora cada uma encomendadas a Frye pela Canadian Broadcasting Corporation e, portanto, destinadas ao público em geral. Nelas, Frye discorre sobre questões relativas a linguagem e literatura.

Taí um livro ótimo para um primeiro contato com as ideias do crítico canadense. Depois, se gostar, pode-se encarar o Anatomia.

Segue um trecho do livro:

“Vocês podem perguntar, então, qual é a utilidade de estudar um mundo de imaginação onde tudo é possível e tudo é admissível, onde não há certo e errado e onde todos os argumentos têm o mesmo valor. Uma das utilidades mais óbvias, penso eu, é o incentivo à tolerância: na imaginação as nossas próprias crenças são simples possibilidades, e ainda enxergamos as possibilidades das crenças alheias. Fanáticos e preconceituosos raramente tentam tirar algum proveito da arte – estão obcecados demais por suas crenças e ações para enxergá-las como talvez simples possibilidades. Também há o outro extremo: o do diletante extremamente entretido por possibilidades e, assim, desprovido de convicções e poder de ação. Mas esses são bem menos comuns que os fanáticos e, no nosso mundo, bem menos perigosos”.


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