Mataram a beata

3 minutos Como é de conhecimento de todos, há diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Quando ouvimos um lusitano falando o português, percebemos imediatamente a diferença entre as variedades. Mas as diferenças não se restrigem ao componente fonológico, elas podem ser observadas também na sintaxe, ou seja, na forma como as frases são construídas. Aqui dizemos Estou trabalhando, lá dizem Estou a trabalhar. Aqui temos a tendência a usar os pronomes oblíquos átonos antes do verbo ( Ela me disse; me convidaram). Continue lendo

Uso do acento grave

3 minutos No artigo, a partir de um post publicado pelo site UOL, teço algumas considerações sobre o emprego do acento grave ( ` ) em português. O propósito do artigo não é apresentar regras que determinam o uso desse sinal gráfico. Para isso, o leitor tem à disposição gramáticas da língua portuguesa. O UOL reproduzia fala do Presidente do Chile, Sebastián Piñera, em reposta a uma declaração feita pelo Presidente Jair Balsonaro, tecendo críticas à ex-Presidente chilena e atual comissária da ONU para Continue lendo

Coerência textual

4 minutos No artigo, a partir de um tuíte que foi compartilhado em outras redes sociais, comento, em rápidas pinceladas, o conceito de coerência textual. O texto não é um amontoado de frases e seu sentido vai além da soma das frases que o constituem, já que essas se organizam por mecanismos que fazem com que um texto seja percebido pelo destinatário como tal. Entre esses mecanismos, tem-se, entre outros, a coesão e a coerência. A coerência é responsável por fazer do texto um Continue lendo

Despertar, um conto de Maupassant

3 minutos “Despertar” pode ser considerado um conto psicológico, aquele em que a sondagem do mundo interior da personagem se sobrepõe à ação propriamente dita. O que vem à tona no conto é a imagem das ilusões que alimentam a protagonista, um movimento de desconstrução de uma fantasia. A narrativa é breve e apresenta unidade de ação, tempo e espaço. Há um único episódio e um número reduzido de personagens, apenas quatro: Jeanne Vasseur, a protagonista; seu marido, o sr. Vasseur; Paul Péronel (Capitão Continue lendo

Vaso grego

2 minutos Conversando com uma amiga, estudante na FFLCH, lembrei-me de um episódio ocorrido na Letras da USP na década de 1970. Certo aluno de cujo nome não me lembro, cursara a disciplina Literatura Grega I, ministrada pelo Professor José Cavalcante de Souza (UAU!!!). No curso, entre uma baforada e outra no cachimbo que teimava em apagar, o menino-aluno ficou encantando ao descobrir que “a tragédia grega, o ápice da cultura muderrna”, fora influenciada por ritos de passagem. Em êxtase, ouvia o barbudo cearense, falar Continue lendo