O moço do saxofone

2 minutos Uma das características do conto é seu final surpreendente. Julio Cortázar, comparando o romance ao conto, diz que o primeiro vence por pontos e o segundo por nocaute. O conto “O moço do saxofone”, de Lygia Fagundes Telles, que faz parte do livro Antes do baile verde, publicado pela Companhia das Letras, é um exemplo de conto cujo final derruba o leitor com um direto no fígado. O espaço é uma pensão frege-moscas administrada por uma prostituta polaca de 44 anos que Continue lendo

Leitura e leitor

5 minutos A leitura é tão antiga quanto a própria cultura ocidental, no entanto nem sempre foi vista como algo positivo e que deve, portanto, ser incentivado. No Fedro, Platão (428 – 327 a.C)  relata que Sócrates rejeitava a palavra escrita porque ela poderia significar a perda da memória. Para esse filósofo grego, a escritura, por ser exterior à memória, era nociva, pois não revelava a verdade, mas apenas a aparência. Nesse diálogo platônico, Sócrates narra que a escrita teria sido inventada pelo deus Continue lendo

Passo do Norte, Juan Rulfo

2 minutos Volto ao escritor mexicano Juan Rulfo. Desta vez para falar do conto “Passo do Norte”, que está no mesmo livro do conto “É que somos muito pobres”, que já comentei e para o qual remeto o leitor, clicando aqui. O livro é Chão de chamas, publicado pela BestBolso, com tradução de Eric Nepomuceno. O conto começa com um diálogo em que o filho diz ao pai que vai abandonar o local em que vive porque não consegue mais dar de comer à Continue lendo

Louva-a-deusa?

6 minutos Com alguma frequência, recebo mensagens perguntando sobre o feminino de algumas palavras, especialmente de substantivos que dão nome a animais. São perguntas do tipo: “Professor, qual é o feminino de louva-a-deus?”. As perguntas se repetem, mudam apenas os animais: cupim, formiga, jacaré, tamanduá-bandeira, peixe-boi… Vamos lá à resposta. A língua portuguesa possui dois gêneros, o masculino e o feminino. Muito substantivos marcam a mudança de gênero pela desinência, por exemplo, porco / porca. Em outros, o radical da forma masculina e o Continue lendo

É que somos muito pobres

4 minutos O escritor mexicano Juan Rulfo (1917 – 1986) é mais festejado pelo seu romance Pedro Páramo, uma obra-prima sem dúvida. Mas Rulfo é também excepcional contista. Um de seus contos de que mais gosto chama-se “É que somos muito pobres” e está no livro Chão em chamas, publicado no Brasil pela Edições BestBolso, num livrinho em formato pequeno com 174 páginas, com excelente tradução de Eric Nepomuceno. A frase que abre o conto, “Aqui tudo vai de mal a pior”, antecipa ao Continue lendo