A carteirinha da doutora

3 minutos Em português, o sufixo –inho não é usado apenas para indicar diminuição como em sapatinho, menininho, telinha, podendo assumir outros sentidos e valores: folhinha (calendário), quentinha (marmita), flanelinha (guardador de carros), caixinha (gorjeta), amorzinho (valor afetivo) etc.   Há ainda o uso do sufixo –inho com valor depreciativo ou irônico: gentinha, engraçadinho, doutorzinho, povinho, santinha, jeitinho (na expressão “dar um jeitinho”), professorzinho (já ouvi gente acentuar o valor pejorativo, acrescentando o adjunto “de merda”). O valor pejorativo costuma ser dado pelo contexto, Leia mais

Compaixão

2 minutos No post, reproduzo passagem de A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera (1929 – 2003), publicado pela Companhia das Letras, em tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca, em que o escritor tcheco trata da compaixão. “Todas as línguas derivadas do latim formam a palavra ‘compaixão’ com o prefixo ‘com’- e a raiz ‘passio’, que originariamente significa “sofrimento”. Em outras línguas, por exemplo em tcheco, em polonês, em alemão, em sueco, essa palavra se traduz por um substantivo formado com um Leia mais

Xenofobia e os gregos

1 minuto Na palavra xenofobia, há dois elementos gregos: xeno (= estrangeiro) e fobia (= aversão). Detenho-me no elemento xeno (ksénos, em grego) relacionado à palavra grega xênia (ksenía), que significa ‘hóspede’ e também ‘anfitrião’. Xênia designa ainda ‘presente que os antigos gregos davam aos hóspedes após as refeições’. Como explicar essa aparente contradição, em que, em grego, a xênia tanto podia designar aquele que vem de fora, o hóspede, como aquele que recebe, o anfitrião? Simples: porque aquele a quem hospedamos hoje poderá Leia mais

Criação de palavras

Criação de palavras

4 minutos Damos o nome de léxico ao conjunto de palavras de uma língua. Como a língua é viva, o léxico é constantemente renovado e isso ocorre em todas as variedades da língua. Não só se criam palavras, como também outras deixam de ser usadas. Já notou como certas gírias são efêmeras? Antigamente, era novidade usar a palavra gamado para se dizer encantado ou apaixonado por alguém, hoje se diz vidrado. Para uma coisa que fosse excepcional, dizia-se que era do balacobaco. Hoje se Leia mais

Literatura e arte

7 minutos A definição mais comum de literatura é que se trata de uma forma de arte que tem por matéria-prima a palavra. Essa definição, no entanto, parece não resolver o problema de se conceituar com precisão o que é literatura, na medida em que leva a uma discussão mais ampla: o que é arte? Nossa posição vai ao encontro do que postula Vincente Jouve na obra Por que estudar literatura? quando afirma que “abordar a literatura como ‘arte da linguagem’ supõe ter antes definido a Leia mais