Língua

Mataram a beata

3 minutos Como é de conhecimento de todos, há diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Quando ouvimos um lusitano falando o português, percebemos imediatamente a diferença entre as variedades. Mas as diferenças não se restrigem ao componente fonológico, elas podem ser observadas também na sintaxe, ou seja, na forma como as frases são construídas. Aqui dizemos Estou trabalhando, lá dizem Estou a trabalhar. Aqui temos a tendência a usar os pronomes oblíquos átonos antes do verbo ( Ela me disse; me convidaram). Continue lendo

Uso do acento grave

3 minutos No artigo, a partir de um post publicado pelo site UOL, teço algumas considerações sobre o emprego do acento grave ( ` ) em português. O propósito do artigo não é apresentar regras que determinam o uso desse sinal gráfico. Para isso, o leitor tem à disposição gramáticas da língua portuguesa. O UOL reproduzia fala do Presidente do Chile, Sebastián Piñera, em reposta a uma declaração feita pelo Presidente Jair Balsonaro, tecendo críticas à ex-Presidente chilena e atual comissária da ONU para Continue lendo

Sobre colocação dos pronomes

2 minutos No artigo, trato do caso do emprego de pronomes oblíquos átonos (me, te-, se, nos, vos) abrindo a frase, o que causa urticária em muitos gramáticos que, espumando, condenam um uso mais que sacramentado. Em outras oportunidades, já me manifestei sobre isso, afirmando que, tirante algumas construções que se cristalizaram, como os anúncios do tipo Vende(m)-se casas, Aluga(m)-se apartamentos, Precisa-se de pedreiros (não vou entrar aqui na discussão se casas é sujeito, se o verbo deve ir para o plural ou não), Continue lendo

Louva-a-deusa?

6 minutos Com alguma frequência, recebo mensagens perguntando sobre o feminino de algumas palavras, especialmente de substantivos que dão nome a animais. São perguntas do tipo: “Professor, qual é o feminino de louva-a-deus?”. As perguntas se repetem, mudam apenas os animais: cupim, formiga, jacaré, tamanduá-bandeira, peixe-boi… Vamos lá à resposta. A língua portuguesa possui dois gêneros, o masculino e o feminino. Muito substantivos marcam a mudança de gênero pela desinência, por exemplo, porco / porca. Em outros, o radical da forma masculina e o Continue lendo

O dito-cujo

4 minutos Me chamaram a atenção para o fato de que em meus textos revelo gostar do cujo. Não é que gosto de usar o cujo, assim como não gosto de usar gravata. Algumas vezes sou obrigado usar gravata; em outras, sou obrigado a usar o cujo. As gravatas têm uma vantagem sobre o cujo, pois apresentam vários modelos, desenhos e cores; mas o cujo é sempre cujo. No máximo, ele sofre variações de gênero e número para concordar com o termo a que Continue lendo