Candidato

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Aproximam-se as eleições, a temperatura sobe ainda mais ainda. Nos noticiários e nas redes sociais, a palavra candidato é uma das mais frequentes. Neste post, falarei um pouco sobre a história dessa palavra.

Candidato, segundo o Houaiss, é aquele aspira a um cargo, honraria, ou aquele que precisa de votos que o elejam para um cargo ou função.

Essa palavra vem do antigo latim, candidātus, no sentido de ‘postulante’, que, por sua vez, deriva de candĭdus, um adjetivo, cujo significado é ‘branco’, ‘alvo’, ‘claro’, ‘puro’, e que tem a mesma raiz do verbo latino candēre, indicador de estado, cujo sentido é ser alvo, branco como a neve.

Esse radical latino cand– aparece também em candeia, candeeiro, candelabro, palavras que designam coisas que servem para iluminar, no sentido de clarear. Cândida ainda se tornou marca de um produto de limpeza conhecido por todos.

Não é por acaso que deram o nome de Cândida ao alvejante, lembrando que alvejante é aquilo que usamos para tornar alvo, ou seja, branco. E não podemos esquecer que Cândido é também antropônimo, isto é, nome de pessoa. Falar no nome Cândido é lembrar de um brasileiro ilustre, Cândido Portinari, e de uma personagem célebre de um livro de Voltaire.

Na palavra latina candidātus (postulante a um cargo), temos uma metonímia, uma figura de retórica em que se usa, entre outras relações, o objeto pela pessoa que a utiliza. Um exemplo atual ocorre quando se usa a palavra flanelinha para designar o guardador de automóveis, geralmente clandestino, nas vias públicas.

Como os postulantes a funções públicas na antiga Roma usavam toga branca para angariar votos, a peça de roupa passou a designar o todo (toga branca = candidato). Em suma: candidato e cândido são da mesma família, o que significa que, tanto em cândido quanto em candidato, está presente o traço semântico /brancura/.

Por esse breve percurso histórico, percebe-se que há uma relação estreita e antiga entre brancura e pureza. Não é, por acaso, que, em nossa cultura, as noivas se vestem de branco para o casamento religioso. Claro que nem todas as noivas são puras, e nem todos os candidatos são cândidos. Não se pode esquecer que há alguns que, para usar uma expressão bem popular, são mais sujos que pau de galinheiro.


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