Enunciação e frase

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Os enunciados são únicos e irrepetíveis, ou seja, sempre que alguém se apropria da língua e diz algo, temos um enunciado, não importando sua extensão. Assim, o simples ato de dizer bom dia a alguém até um extenso romance, passando por uma reportagem publicada numa revista são enunciados.  

Não devemos confundir enunciado com frase, pois se trata de conceitos relativos a domínios distintos. 

Usamos o termo frase quando estamos  no  domínio da gramática, que a define como uma palavra ou um conjunto de palavras que possui sentido completo.  Falamos em enunciado quando nos referimos a realizações efetivas da língua em situações concretas de interlocução.

Uma mesma frase pode corresponder a incontáveis enunciados. Uma frase como “bom dia” será um enunciado cada vez que for enunciada por alguém. O bom dia que você diz a um familiar quando acorda não é o mesmo bom dia que você diz ao porteiro do prédio, ou a seu colega quando chega ao trabalho. A frase é a mesma, mas os enunciados são distintos. Por outro lado, um enunciado pode comportar várias frases. Uma notícia de jornal, por exemplo, é um enunciado formado por  muitas frases.  

A enunciação pressupõe a existência de um sujeito que, por um ato de vontade, se apropria da língua e a converte em discurso.  A esse sujeito que põe a língua em funcionamento, damos o nome de enunciador. Como quem diz algo sempre diz algo a alguém, haverá sempre um enunciatário, aquele a quem se diz. Resumindo o que dissemos até aqui. 

Enunciação: é o ato de dizer e está pressuposta pela existência do enunciado. Trata-se do ato pelo qual um sujeito, o enunciador, se apropria das virtualidades da língua e a converte em discurso. 

Enunciado: o produto da enunciação. Aquilo que é dito, oralmente ou por escrito, independentemente de sua extensão. É o acontecimento linguístico, o discurso enunciado. Os enunciados são únicos e irrepetíveis.

Enunciador: aquele que diz, aquele que se apropria do sistema da língua e a converte em discurso, que, manifestado por meio de uma expressão, constituirá os textos. É o sujeito que se constitui no e pelo discurso. 

Enunciatário: aquele para quem se diz. Como a linguagem humana é marcada pelo dialogismo, ou seja, sempre que um eu, o enunciador, toma a palavra, dirige-se a um tu/você. Assim como o enunciador, o enunciatário é constituído no e pelo discurso  

Embora a maioria das pessoas, identifique apenas no enunciador o produtor do texto, é preciso ressaltar que o enunciatário também é produtor do texto porque é ele quem constrói o sentido que, muitas vezes, não é o mesmo que o enunciador pretendeu dar a seu texto. Além disso, ao produzir o texto, o enunciador cria uma imagem do enunciatário. Essa imagem determinará, consciente ou inconscientemente, as escolhas e os modos de dizer que resultarão no enunciado.

Nos textos escritos, muitas vezes, o enunciatário é o leitor presumido, ou seja, uma imagem que o enunciador constrói de seu leitor. Acrescentamos ainda que, dado o caráter dialógico da língua, as posições de enunciador (eu) e enunciatário (tu/você) se invertem constantemente. O enunciatário, ao tomar a palavra, passa a enunciador e aquele que, no momento anterior, exercia papel de enunciador passa a enunciatário, como você pode observar principalmente nos atos de conversação espontânea. 


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