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No processo de escrever textos, normalmente faço minhas anotações em um caderninho usando lápis e borracha e vou rascunhando o texto. Na hora de dar a redação definitiva, uso o computador. Meu processador de texto, há séculos, é o Word. A versão que tenho (16.101 para IOS) contém o tal de Copilot, que vai sublinhando erros e sugerindo a correção. Para isso, ele é bastante útil, pois pega os cochilos de redação.
Tenho notado que, não raras vezes, ele sublinha uma palavra e eu não consigo ver o que ele considerou erro. Clico para ver e ele vive me dizendo que é problema de clareza e sugere que eu troque a palavra usada por um sinônimo. As palavras que ele aponta são aquelas cuja ocorrência em textos atuais não é grande.
Ao dar a redação final a um texto, o Copilot sublinhou a palavra vitupério, sugerindo, a bem da clareza, que eu a trocasse por injúria. Certo que são sinônimos, mas no texto que estou escrevendo, vitupério é bem mais expressivo que injúria e não creio que seja um arcaísmo. Pensemos no ditado popular elogio em boca própria é vitupério. É bem melhor que elogio em boca própria é injúria (ou insulto ou afronta). Além do que, no meu uso mais comum, a palavra injúria me remete a crime contra a honra, sendo irmã da calúnia e da difamação.

Por trás do conceito de clareza do Copilot-Word, está a ideia de que, entre duas palavras de sentidos equivalentes, devemos optar por aquela cujo uso é mais frequente. Será que ele no Word sublinharia o pronome relativo cujo e pediria para eu trocar?
Se vitupério não é arcaísmo, o Copilot já está antecipando, cavando-lhe a sepultura.