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Alguns humanos, de Gustavo Pacheco (Tinta da China, 2018, 144 pp.), livro de estreia de Pacheco apresenta 11 contos. O que dá título ao livro é muito bom. Leitura obrigatória a aspirantes a escritor de textos ficcionais. Pessoalmente, gosto muito de autores que usam a ficção para falar do ato de escrever ficção. Aprendo muito com eles.
O conto se desenvolve a partir de um diálogo em que a personagem Vicente começa a comentar o livro que a companheira acabara de escrever. Diz que gostou. MAS. Segue o diálogo em que Vicente vai apontando os defeitos do livro e a autora vai rebatendo as críticas. O cerne da discussão recai na questão do que é real e o que é inventado. Vicente insiste que “a parte inventada deve ser mais realista e mais prosaica do que os dados”. Ao que a autora contrapõe “Você sabe que eu não gosto muito dessa separação entre ‘parte real’ e ‘parte inventada”. A discussão prossegue com os dois discutindo os limites entre realidade e ficção e trazem à baila autores como John Steinbeck, o nosso Machado e Cervantes. A discussão prossegue e os ânimos começam a ficar exaltados, quando ele solta a frase:
“- Não interessa se é verdade ou não, porra! O importante é o efeito que é produzido no leitor”.
A partir daí deixa-se o livro de lado e a discussão toma o rumo da relação afetiva entre eles. O passado emerge como uma bomba que estava para explodir e agora explode de vez.
Mas explode por quê? Ela acha que é algo do livro que incomodou Vicente. Mas o quê? A parte inventada ou a real? Quem está falando no livro? A personagem ou a autora?
A discussão prossegue. Paro por aqui. Quem quiser saber mais, vá ler o conto. Garanto que vale a pena.