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A palavra metáfora provém do grego com o sentido de mudança, transposição. Aristóteles destaca que “a metáfora é a transposição do nome de uma coisa para outra […] por via de analogia”.
Podemos então definir metáfora como uma alteração de significado baseada em traços de semelhança. Em linguagem bem simples: ocorre metáfora quando uma palavra que designa uma coisa passa a designar outra por haver entre elas uma relação de semelhança, ou seja, a metáfora é uma forma de comparação sem que se use um conectivo comparativo (como, assim como, tal etc.).
Na escola, as metáforas são ensinadas normalmente quando se trata das figuras de linguagem, assunto tratado no último post (clique aqui para ler) e normalmente são destacados usos estéticos da linguagem, particularmente em textos literários e letras de canções.
É inegável que versos como
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando Pessoa)
“… a saudade é o revés de um parto
a saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu.” (Chico Buarque)
apresentam belíssimas e originalíssimas metáforas.
Mas a metáfora está presente também na linguagem comum. No dia a dia, os falantes fazem uso de metáforas e nem sempre têm consciência disso.
Frequentemente, lemos, ouvimos e usamos as expressões “lavar dinheiro” e “lavagem de dinheiro”, que são metafóricas. O sentido original de lavar é limpar, fazer desparecer a sujeira. Usamos esse verbo com complemento (aquilo que está sujo): lavar a roupa, lavar a louça.
Quando dizemos lavar dinheiro, estamos usando o verbo em sentido figurado. Lavar, nessa expressão, constitui uma metáfora. Com base numa relação de semelhança, o verbo lavar passa a significar limpar os vestígios de ilegalidade do dinheiro. Um dinheiro sujo, isto é, obtido ilegalmente (tráfico, sonegação, por exemplo), pela “lavagem”, passa a ser limpo. Nas expressões dinheiro sujo e dinheiro limpo, os adjetivos sujo e limpo constituem metáforas.
Esse tipo de metáfora não artística é chamada de metáfora convencional, de que são exemplos também
Minha vida desmoronou.
Investi tudo nesse relacionamento.
Tirei um peso da consciência.
No exame, tropecei na segunda questão.
Certas metáforas, de tão usadas, se cristalizam e se tornam clichês, como
Você é um colírio para os meus olhos.
Encerrei o ano com chave de ouro.
Estou na aurora da minha vida.