A foto, conto de Enrique Anderson Imbert

Tempo de leitura: 1 minuto

Há pouquíssimo tempo postei aqui a tradução que fiz do conto O suicida, do escritor argentino Enrique Anderson Imbert (1910 – 2000). Quem quiser lê-lo é só clicar no aqui. Publico hoje outro conto de Imbert, em tradução minha. Repito o que disse na postagem anterior: não sou tradutor, portanto não esperem lá grande coisa desta minha tradução. O conto se chama A foto. Como tantos outros da obra do escritor argentino, trata-se de um miniconto.

A foto

Jaime e Paula se casaram. Já durante a lua de mel era evidente que Paula estava morrendo. Apenas alguns meses de vida, o médico tinha prognosticado. Jaime, para preservar aquele lindo rosto, pediu-lhe para se deixar fotografar. Paula, que estava plantando uma semente de girassol em um vaso, consentiu: sentada com o vaso sobre a saia, sorriu e …

Clique!

Pouco depois, a morte. Então Jaime ampliou a foto – o rosto de Paula era lindo como uma flor – colocou uma moldura de vidro na foto e colocou o retrato no criado-mudo.

Certa manhã, ao despertar, viu que uma pequena mancha havia aparecido na foto. Seria umidade? Não prestou mais atenção. Três dias depois: o que é isso? Não era uma mancha que se sobrepunha à foto, mas um broto que surgia dentro do vaso. A sensação de estranheza transformou-se em medo quando, nos dias seguintes, descobriu que a foto vivia como se, em vez de reproduzir a natureza, reproduzisse na natureza. Todas as manhãs, ao acordar, observava uma mudança. A planta fotografada estava crescendo. Cresceu, cresceu até que no final um grande girassol cobriu o rosto de Paula.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *