Leitura e escrita

Clareza, coesão, coerência

8 minutos Neste post, comento em rápidas pinceladas três qualidades que devem estar presentes em todos os textos para que atinjam seus propósitos comunicativos:  clareza, coesão e coerência.   CLAREZA Clareza é uma qualidade dos textos em geral, por isso deve ser sempre buscada. Ser claro é se fazer entender. Quem escreve quer ser lido, então deve-se facilitar a vida do leitor apresentando um texto que seja compreensível. Quando alguém não está compreendendo o que lê, abandona a leitura rapidamente. Alguns procedimentos ajudam a obter Continue lendo

Pessoa e personagem de ficção

Pessoa e personagem de ficção

3 minutos Neste post, trago um trecho do livro O conto na sala de aula (Editora InterSaberes, 2017), que escrevi com Jessyca Pacheco. Trata-se do trecho introdutório ao capítulo em que discutimos a personagem. Quando lemos um conto, acompanhamos as ações e as transformações de personagens. Embora saibamos que se trata de uma obra de ficção, em decorrência da verossimilhança, as personagens se nos apresentam como reais – ou seja, elas nos parecem pessoas de carne e osso, quando, na verdade, são apenas pessoas Continue lendo

Quem matou Roland Barthes?

Quem matou Roland Barthes?

3 minutos Quem matou Roland Barthes?  Quem matou Roland Barthes? é o título de um romance de Laurent Binet, publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2016.  Binet recebeu em 2010 o Prêmio Goncourt por seu romance de estreia, HHhH.Teria muito a falar do livro, mas vou me restringir a comentar apenas o título, porque ele me chamou a atenção. Títulos são contextualizadores prospectivos, isso significa que sinalizam ao leitor o que ele vai encontrar, ou seja, os títulos, de certa forma, antecipam o assunto tratado. Nos dias de Continue lendo

Em busca do espaço perdido

4 minutos Por Ernani Terra ©   Há alguns anos tenho centrado minhas reflexões e pesquisas na categoria espaço, mais especificamente, como o espaço se manifesta nas narrativas.  Tenho colocado como hipótese de que a memória está no espaço e não no tempo. Acabei de ler um dos contos mais belos de nossa literatura que mostra isso com muita poesia.  Trata-se de Viagem aos seios de Duília, de Aníbal Machado, do livro A morte da porta-estandarte, Tati, a garota e outras histórias (Editora José Olympio).  O conto narra a história de José Maria, um Continue lendo

Trabalhar feito um mouro

3 minutos Por Ernani Terra © Quando era aluno de Letras na USP,  o texto Linguística e Poética, de Roman Jakobson era leitura obrigatória.  Nele, o linguista russo fala da função poética da linguagem, aquela em que a mensagem se volta para a própria mensagem, para seu aspecto sensível. Ao contrário da função referencial, que se volta para o referente, aquilo que se diz, quando se usa a função poética estamos mais voltados ao como se diz do que ao que se diz. O Continue lendo