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Há um lugar em Lisboa que é instagramável, sobretudo para turistas brasileiros. Me refiro ao A brasileira. Brasileiros em Lisboa sobem ao Chiado para tirar fotos ou fazer lives com a estátua de Fernando Pessoa (eu não fugi à regra, foto abaixo).

Ocorre que Fernando Pessoa não era tão chegado a A brasileira. O lugar preferido por ele para conversar com amigos e tomar umas e (tantas) outras era o Martinho da Arcada, no Terreiro do Paço. Como lá não tem a estátua do poeta, não é tão procurado por turistas brasileiros.
Sobre o fato de Fernando Pessoa, ser dado ao hábito de tomar todas (não apenas no Martinho), Richard Zenith, no ótimo Pessoa; uma biografia (tradução de Pedro Maia Soares, Companhia das Letras), conta dois casos engraçados.
Pessoa costumava interromper o trabalho e ia ao Abel, uma importadora e exportadora de vinhos que ficava entre o escritório em que trabalhava e o Martinho da Arcada, para tomar um trago durante o expediente. Certa feita, o filho do proprietário da empresa disse a Pessoa: “O senhor aguenta beber como uma esponja!”. A que o poeta rebateu: “Como uma esponja? Como uma loja de esponjas, com um armazém anexo”.
O outro episódio. A namorada do poeta, Ofélia, pede ao sobrinho dela, Carlos, que arranje uma cópia de uma foto em que ela aparece com Fernando Pessoa bebendo vinho. O poeta não só manda a foto, como ainda coloca um dedicatória: “Fernando Pessoa, em flagrante delitro”
