Literatura

Essas brasileiras guerreiras

3 minutos Li recomendo o livro “A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas”, de Maria José Silveira, Globo Livros, 318 p. Lançado em 2002, depois da enorme repercussão na Europa e nos EUA, a Globo Livros relançou-o agora em 2019 com um capítulo extra. A narrativa, cujas protagonistas são sempre mulheres, percorre mais de 500 anos, começando na véspera do dia do descobrimento do Brasil com o nascimento da índia tupiniquim Inaiá e se estende até momentos mais recentes de nossa Continue lendo

O moço do saxofone

2 minutos Uma das características do conto é seu final surpreendente. Julio Cortázar, comparando o romance ao conto, diz que o primeiro vence por pontos e o segundo por nocaute. O conto “O moço do saxofone”, de Lygia Fagundes Telles, que faz parte do livro Antes do baile verde, publicado pela Companhia das Letras, é um exemplo de conto cujo final derruba o leitor com um direto no fígado. O espaço é uma pensão frege-moscas administrada por uma prostituta polaca de 44 anos que Continue lendo

Passo do Norte, Juan Rulfo

2 minutos Volto ao escritor mexicano Juan Rulfo. Desta vez para falar do conto “Passo do Norte”, que está no mesmo livro do conto “É que somos muito pobres”, que já comentei e para o qual remeto o leitor, clicando aqui. O livro é Chão de chamas, publicado pela BestBolso, com tradução de Eric Nepomuceno. O conto começa com um diálogo em que o filho diz ao pai que vai abandonar o local em que vive porque não consegue mais dar de comer à Continue lendo

Senilidade

4 minutos No ano passado, falando de adaptações de obras literárias para o cinema, comentei a que Mauto Bolognini fez do romance Senilità, de Italo Svevo. Gostaria de voltar ao assunto, não só porque Svevo é um dos autores de que mais gosto por aquilo que escreveu, mas também porque ele me remete a meus ancestrais, já que Svevo é da cidade hoje italiana de Triste, onde nasceu em 1891. Nessa região, nasceu também Amábile, minha avó materna, que teve importante papel em minha Continue lendo

O dito-cujo

4 minutos Me chamaram a atenção para o fato de que em meus textos revelo gostar do cujo. Não é que gosto de usar o cujo, assim como não gosto de usar gravata. Algumas vezes sou obrigado usar gravata; em outras, sou obrigado a usar o cujo. As gravatas têm uma vantagem sobre o cujo, pois apresentam vários modelos, desenhos e cores; mas o cujo é sempre cujo. No máximo, ele sofre variações de gênero e número para concordar com o termo a que Continue lendo