De novo Jack London

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Comentei no último artigo, o conto Mexicano, de Jack London, que faz parte do livro Nocaute: cinco histórias de boxe (Benvirá). Há no livro mais 4 contos tão bons quanto Mexicano.

Jack London, cujo nome verdadeiro era John Griffith Chaney, nasceu em São Francisco em 1876 e faleceu em 1916. Socialista, estudou em Berkeley. Participou de uma expedição na famosa corrida do ouro na região gelada de Klondike em 1897, o que lhe rendeu matéria para um de sues mais famosos contos, To Build a Fire (Fazer uma fogueira).

A propósito desse conto, Ricardo Piglia, em seu livro O último leitor, cita uma passagem do livro Passagens da guerra revolucionária, de Ernesto Che Guevara, em que o revolucionário argentino, ferido e pensando que estava a morrer, diz “Na mesma hora comecei a pensar na melhor maneira de morrer, naquele minuto em que tudo parecia perdido. Lembrei-me de um velho conto de Jack London, em que o protagonista, apoiado no tronco de uma árvore,  toma a decisão de acabar com a vida com dignidade, ao saber-se condenado à morte por congelamento, nas regiões geladas do Alasca. É a única imagem de que me lembro“. Guevara via nesse conto o exemplo de como enfrentar a morte com dignidade.

No livro O conto na sala de aula, que escrevi com Jessyca Pacheco e que foi publicado pela Editora InterSaberes em 2017, reproduzo na íntegra esse conto para exemplificar o espaço como categoria da narrativa.

Jack London

Voltemos ao livro Nocaute, que como o próprio nome indica, reúne histórias que têm como pano de fundo o boxe, O conto que abre o livro, O jogo, mostra o enorme talento de London como contista. É um conto longo, narrado em terceira pessoa, o que, em princípio, implicaria certo afastamento do narrador observador em relação à matéria narrada. O que se narra principalmente é uma luta de boxe. Incrível, London faz isso por páginas e páginas mantendo a atenção do leitor o tempo todo. É narra para aqueles que não sabem e não gostam de boxe. Para manter o leitor preso, o narrador onisciente adota a perspectiva da namorada do boxeador. Ela também nada sabe de boxe e vê a luta por um buraco na parede de uma sala onde é colocada para ver a luta, pois, sendo mulher, não poderia estar no ginásio. A focalização é a grande sacada do conto.

Se você leu O mexicano, leia também O jogo e é claro, não deixe de ler o Fazer uma fogueira.

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