O velocista, de Walter Cavalcanti Costa

Tempo de leitura: 2 minutos

A Companhia Editora Pernambuco (Cepe) me enviou, por solicitação do autor, o romance O velocista, de Walter Cavalcanti Costa. Agradeço a ambos.

Em tempos em que chegam às prateleiras das poucas livrarias físicas que insistem em não morrer, livros descartáveis, que são publicados para serem vendidos como sabonete, é com entusiasmo que recebo o lançamento de O velocista, do jovem escritor pernambucano Walter Cavalcanti Costa.

O Velocista já chega com o aval de ter sido uma das cinco obras contempladas no 5° Prêmio Pernambuco de Literatura. O prêmio chancela uma obra que, dialogando com o que o romance brasileiro tem de mais inovador, veio para dar uma boa chacoalhada no mainstream literário. Obra desafiadora, mas não hermética, e leitura envolvente, com raízes fincadas nas vanguardas modernistas, especialmente no romance experimental de Oswald de Andrade e no futurismo, passando pela linguagem da poesia concreta.

As epígrafes já inserem o leitor num mundo em que o tempo e o espaço morreram ontem; num tempo da eterna velocidade onipresente (Marinetti). Uma outra epígrafe é o poema concreto Velocidade de Ronaldo Azeredo.

Mas o moderno de O velocista não é o das locomotivas, mas o das naves espaciais. O protagonista é um astronauta, que se apresenta ao leitor da seguinte forma:

“Eu sou Jô Tadeu Tábua, sou astronauta. Sou filho da estilista Carolina Vásquez e do Professor de Ciências Contábeis João Tábua. Sou casado com Bevita Samana, a governadora do Estado de Pernambuco, no Nordeste, da República Federativa do Brasil e sou irmão do artista plástico Von O’Val, que é casado com a bibliotecária Valbuena Sales, que fala sete línguas ocidentais. Sales trabalhou com meu pai, João Tábua, no local onde hoje é a biblioteca que recebe o nome dele. Tenho um filho chamado João Tadeu. Uma filha que está para nascer. Nasceu. Estou há 35 dias, seis horas e 27 minutos terrestres no espaço.”

O velocista é um livro de memórias. As memórias se alimentam do tempo, mas o tempo de Tábua é o tempo desconstruído na velocidade.

 

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