Metonímia ou sinédoque?

3 minutos Em artigo anterior em que discutia a “diferença” entre antonomásia e perífrase, destaquei que, a rigor, as figuras de retórica podem ser resumidas a apenas duas: a metáfora, quando a transposição de significado decorre de uma relação de semelhança, e a metonímia, quando a alteração de significado decorre de uma relação de contiguidade, isto é, de proximidade. Ressalto ainda que, nas figuras de retórica, o que ocorre é um excedente de significado, já que ao sentido original agrega(m)-se outro(s). Alguns autores fazem Leia mais

Penélope, um conto de João do Rio

4 minutos Neste artigo, comento o conto Penélope, de João do Rio, que faz parte do livro A mulher e os espelhos. Antes, algumas palavras sobre o autor. João do Rio, pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, ou simplesmente Paulo Barreto (1881 – 1921), é um autor brasileiro, jornalista, contista, cronista e dramaturgo que alcançou muita popularidade nas primeiras décadas os séculos XX. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e representante do Decadentismo no Brasil. Sua obra recebe influências Leia mais

A virada: o nascimento do mundo moderno

1 minuto Li e recomendo a leitura de A virada: o nascimento do mundo moderno, de Stephen Greenblatt, um crítico literário e historiador norte-americano estudioso de Shakespeare e do Renascimento. O livro (304 p.) ganhou o prêmio Pulitzer 2012 e foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Caetano W. Galindo. Em A virada: o nascimento do mundo moderno, Greenblatt relata como foi recuperado, no século XV, o manuscrito do poema De rerum natura (Da natureza das coisas), de Lucrécio (Titus Leia mais

Antonomásia ou perífrase?

3 minutos Na Folha de S. Paulo de 21 de setembro, o colunista Reinaldo Azevedo diz que vai usar a expressão “capitão reformado” para não ter de repetir a palavra Bolsonaro e questiona se isso é uma antonomásia ou uma perífrase. Antes de mais nada, esclareço que discutir isso é uma questão bizantina, ou seja, uma questão frívola, de pouca importância, boba. Portanto não se deve perder tempo com isso. Mas a curiosidade matou o gato. E leitores que seguem o blogue querem saber Leia mais

O mestre-sala dos mares e heterogeneidade

5 minutos A ideia de um sujeito como única fonte de sua fala é uma quimera. Todo texto, falado ou escrito, dialoga com outros. No discurso de um sempre estará presente o outro, ou seja, todo discurso é marcado pela heterogeneidade, uma vez que é condição do discurso se constituir em relação a outro com o qual mantém uma relação contratual (de concordância), ou polêmica (de refutação). Como todo discurso traz em si a presença do outro, ele se caracteriza por ser a reunião de Leia mais