Aspecto verbal

5 minutos No final do romance Um amor incômodo, da conhecida autora italiana que assina Elena Ferrante, lê-se o seguinte: “Amalia existira. Eu era Amalia”. São duas frases simples, com os verbos no passado, o que é comum em narrativas, pois essas normalmente contam acontecimentos, verdadeiros ou ficcionais, que já ocorreram. O passado da primeira frase (existira) é, no entanto, diferente do da segunda (era). A diferença entre eles, portanto, não reside no tempo; ambos são pretéritos. Aprendemos na escola que o primeiro (existira) Leia mais

Professores inventando cotidiano

4 minutos Roland Barthes, no ensaio Escritores, intelectuais, professores, com base na dicotomia fala vs. escrita, distingue o professor do escritor. O primeiro está do lado da fala; o segundo, do lado da escritura. O semiólogo aponta que entre os dois está o intelectual, aquele que publica e imprime a sua fala. Evidentemente, pode haver sincretismo de papeis, pois não há propriamente incompatibilidade entre a linguagem do professor e a do intelectual. Durante muitos anos, aquilo que era impresso e publicado como material didático e distribuído Leia mais

Substantivo próprio derivado

2 minutos Um assinante do blogue me mandou uma mensagem em que perguntava se os nomes próprios podem ser classificados em primitivos ou derivados. A pergunta, como se vê, envolve classificação dos substantivos.  A classificação dos substantivos leva em conta oposições, e é feita a partir dos seguintes pares opositivos: /comum vs. próprio/; /concreto vs. abstrato/; /simples vs. composto/; /primitivo vs. derivado/. As oposições /comum vs. próprio/ e /concreto vs. abstrato/ levam em conta o critério semântico, isto é, a significado que o substantivo Leia mais

Cativo e cativante

2 minutos Este artigo é uma nova versão de post muito antigo do blogue que tive de apagar porque, devido a problemas técnicos, ficou todo desformatado, prejudicando a legibilidade do texto.  Discuto o sentido das palavras cativo e cativante que, como se percebe, têm o mesmo radical e permite reflexões do tipo: Como alguém que torna o outro cativo pode ser cativante? As pessoas cativantes são, na essência, sádicas? Seria o cativo um masoquista? Ou sofreria da síndrome de Estocolmo? O que é cativo? Leia mais

O conto dramático

4 minutos Na expressão conto dramático, conto deve ser entendido sob a perspectiva bakhtiniana, isto é, como um gênero do discurso, um tipo relativamente estável de enunciado. Costuma-se definir o conto por oposição ao romance. Enquanto o romance é uma narrativa mais longa, o que caracteriza o conto é o fato de ser uma narrativa curta, condensada, centrada num único evento, com poucas personagens e abdicando de análises e descrições minuciosas. Por ter extensão limitada, o conto procura capturar um instantâneo. Cortázar compara o Leia mais