Romance policial

1 minuto Tem gente que considera o gênero romance policial subliteratura. Claro que há romances policiais ruins, particularmente aqueles que trapaceiam o leitor, mas há os que se aproximam daquilo que se convencionou chamar de alta literatura. Um dos meus autores preferidos de romances policiais é Raymond Chandler (1888 -1959). Não trapaceia o leitor, o que é não é raro em romances do gênero, sabe criar uma atmosfera por meio de descrições de ambientes e personagens, tem estilo, é de uma ironia finíssima e Leia mais

Sentido e significado

6 minutos No artigo Significado linguístico: uma análise semântica (clique aqui para ler), defini semântica como o ramo da linguística que tem por objeto o estudo do significado das expressões, palavras e frases das línguas naturais. Algumas pessoas que leram o artigo me perguntaram se as palavras significado e sentido designam o mesmo objeto de estudo, ou seja, se são palavras sinônimas. Neste artigo, procuro esclarecer isso. Na linguagem corrente, os termos significado, significação e sentido são usados praticamente na mesma acepção. Assim, a expressão Leia mais

Emprego do infinitivo

4 minutos Umas das maiores dificuldades que os usuários da língua têm é o uso correto do infinitivo, particularmente a forma flexionada, chamada também de infinitivo pessoal. Sem pretensão de esgotar o assunto, apresento algumas orientações para o uso do infinitivo. O infinitivo é chamado de forma nominal do verbo porque, em muitos contextos, assume um papel de substantivo. Pode-se dizer que o infinitivo é um substantivo verbal que apresenta diversos usos. Pode, inclusive, vir acompanhado de um termo que complete seu sentido ou Leia mais

Aspecto verbal

5 minutos No final do romance Um amor incômodo, da conhecida autora italiana que assina Elena Ferrante, lê-se o seguinte: “Amalia existira. Eu era Amalia”. São duas frases simples, com os verbos no passado, o que é comum em narrativas, pois essas normalmente contam acontecimentos, verdadeiros ou ficcionais, que já ocorreram. O passado da primeira frase (existira) é, no entanto, diferente do da segunda (era). A diferença entre eles, portanto, não reside no tempo; ambos são pretéritos. Aprendemos na escola que o primeiro (existira) Leia mais

Professores inventando cotidiano

4 minutos Roland Barthes, no ensaio Escritores, intelectuais, professores, com base na dicotomia fala vs. escrita, distingue o professor do escritor. O primeiro está do lado da fala; o segundo, do lado da escritura. O semiólogo aponta que entre os dois está o intelectual, aquele que publica e imprime a sua fala. Evidentemente, pode haver sincretismo de papeis, pois não há propriamente incompatibilidade entre a linguagem do professor e a do intelectual. Durante muitos anos, aquilo que era impresso e publicado como material didático e distribuído Leia mais