A perfeição

4 minutos No artigo, comento um dos meus contos preferidos de Eça de Queirós, “A perfeição”. Nele, Eça faz uma leitura do Canto V da Odisseia, dialogando com o texto de Homero. O episódio é aquele em que Ulisses está na ilha de Calipso. Em resumo o conto narra o que segue. Ulisses está na ilha de Ogígia onde havia sete anos Calipso o recolhera após um raio fender sua nau. Pela manhã, depois de sair do leito de Calipso, contemplando o mar azul, Continue lendo

Ambiguidades

8 minutos Notícia publicada na Folha de S. Paulo, edição de 28 de março, p. C8, me obriga a retomar assunto já discutido nesse espaço. Para quem não teve a oportunidade de ler o post anterior, retomo alguns conceitos lá apresentados. O título da notícia publicada na Folha de S. Paulo a que me refiro é: Obra roubada de Picasso é entregue em saco de lixo. Se o leitor se restringir à leitura do título poderá ficar em dúvida se o objeto do roubo Continue lendo

História do demoníaco Pacheco

6 minutos O conde polonês Jan Potocki (1761 – 1815) é o autor do livro Manuscrito encontrado em Saragoça, obra publicada em francês em 1805, considerada pioneira da literatura fantástica.  O livro ficou sumido por mais de um século por ser considerado escandaloso e só voltou a ser publicado em sua íntegra apenas em 1958. Manuscrito encontrado em Saragoça traz diversas histórias com componentes de terror e erotismo que se ligam umas às outras como nas histórias do Livro da mil e uma noites. Continue lendo

Paternidade

3 minutos No artigo, discorro sobre a palavra paternidade. Trata-se de um vocábulo, como grande parte de nosso léxico, procedente do latim: paternitate. Na passagem do latim para o português o t intervocálico (um fonema linguodental oclusivo surdo) se sonoriza e se transforma em d: paterniTaTe se transforma em paterniDaDe. Em Latim, paternitate é “sentimento de pai”, ou seja, não se aplica necessariamente ao pai biológico, mas àquele que mantém com relação a outrem sentimento de pai, tanto que o substantivo paternidade, precedido de Vossa, é usado para tratamento a religiosos: Dirijo-me Continue lendo

Kholstomér, a história de um cavalo

4 minutos Neste artigo, comento o conto “Kholstomér, a história de uma cavalo”, de Liev Tolstói (1828 -1910), que está no livro O diabo e outras histórias, publicado pela Cosac Naify (Coleção Prosa no mundo). Minha edição é de 2010. A tradução do conto foi feita diretamente do russo por Beatriz Morabito e Maira Pinto. O título do conto já adianta ao leitor sobre o que se vai ler: a história de um cavalo. O conto é um excepcional exemplo de discurso figurativo, aproximando-se de Continue lendo