O titês e o idioleto

4 minutos Época de Copa, piadas e memes rolando soltos. Neymar parece ser a bola da vez, mas vou falar do Tite, ou melhor, da linguagem do Tite, o titês, também motivo de piadas. Antes, porém, é preciso explicar o que é idioleto. Já falei aqui da variação linguística. Comentei que a língua varia em decorrência de diversos fatores (geográficos, históricos, contextuais etc.). Há também o jargão, a língua de certos grupos sociais e profissionais, como o juridiquês e o economês, linguagem própria de Continue lendo

Senilidade: um romance de Italo Svevo

2 minutos Adaptações de obras literárias para o cinema são frequentes. Quando isso ocorre, é inevitável a comparação entre livro e filme. Minha tendência é achar que o livro é sempre melhor que o filme. Uma das razões é que, quando alguém resolve levar um livro à tela, já parte de uma grande obra. Dificilmente toma como ponto de partida uma obra literária ruim.um livro ruim. Levar às telas o Mackbeth requer coragem, pois o referencial para comparação é nada menos que um dos Continue lendo

A balzaquiana de Balzac e as adoráveis balzaquianas

4 minutos O mote para o texto de hoje é um comentário que uma querida amiga fez num post do FB. Lá ela dizia que era uma “quase balzaquiana que precisa escolher seu rumo“. O leitor já inferiu que minha amiga está perto de completar os 30 anos. Fiquei pensado nelas: na minha amiga e na palavra balzaquiana, que me causou estranhamento. Balzaquiana é um adjetivo derivado de um nome próprio, Honoré Balzac, escritor francês, nascido em 1799 e falecido em 1850. Adjetivos derivados Continue lendo

Língua e variação linguística

8 minutos Neste post, retomo assunto de que falei há algum tempo neste blogue: a variação linguística. Naquela ocasião, comentei rapidamente o conceito de variação linguística e me concentrei principalmente no conceito de norma.Esse assunto é discutido, num contexto mais amplo, no livro Linguagem, língua e fala, de minha autoria, que será lançado brevemente pela Editora Saraiva. A língua é uma instituição social de domínio público e de caráter abstrato, que se concretiza por meio de atos individuais de fala, os enunciados, ou o Continue lendo

A aranha negra, de Jeremias Gotthelf, um livro de tirar o sono

1 minuto A aranha negra, do escritor suíço Jeremias Gotthelf (1797 – 1854), Editora 34, 2017, com tradução e excelente posfácio do professor da USP, Marcus Vinicius Mazzari, é uma leitura de tirar o sono. Elias Canetti, Thomas Mann e Otto Maria Carpeaux são alguns nomes que fazem ótimas referências ao livro de Gotthelf. Usando a técnica da boneca russa, o autor encaixa, na narrativa em terceira pessoa, duas histórias narradas pelo avô: a primeira, ocorrida no séc. XIII; a segunda, no séc. XV. Continue lendo