Língua e literatura

É que somos muito pobres

3 minutos O escritor mexicano Juan Rulfo (1917 – 1986) é mais festejado pelo seu romance Pedro Páramo, uma obra-prima sem dúvida. Mas Rulfo é também excepcional contista. Um de seus contos de que mais gosto chama-se É que somos muito pobres que faz parte do livro Chão em chamas, publicado no Brasil pela Edições BestBolso, num volume em formato pequeno com 174 páginas, com excelente tradução de Eric Nepomuceno. A frase que abre o conto, “Aqui tudo vai de mal a pior”, antecipa Leia mais

Pedro Nava, as palavras e o dicionário

Pedro Nava, as palavras e o dicionário

3 minutos Pedro Nava escreve como ninguém. Entre tantas coisas que admiro em seu estilo está a quase obsessão em encontrar a palavra exata. Numa passagem de Balão Cativo em que ele narra as aventuras extra-conjugais do avô materno, afirma: “O Major nessa época era uma esplêndida figura de macho. Peludo, magro, alto, desempenado, sempre de fraque escuro, bem calçado, meia cartola, escarolado, roupa branca esmaltada de goma, barba grisalha aberta ao meio, bigodarras de jaguar, mãos tratadas, olhos largos e sorridentes, muita papa Leia mais

O famigerado em Guimarães Rosa

11 minutos Este post dá prosseguimento às reflexões apresentadas em A significação como tema na literatura e trata especificamente do conto Famigerado, de Guimarães Rosa. A escolha desse conto se deveu, sobretudo, ao fato de que nele Guimarães Rosa tematiza uma questão semântica, possibilitando não só a reflexão sobre a questão do significado em si, mas também como um evento da língua oral é tematizado no discurso literário. Em Famigerado, publicado inicialmente em Primeiras estórias, Guimarães Rosa tematiza a opacidade semântica da palavra famigerado, Leia mais

Gógol, o sociolinguista

2 minutos Nikolai Gógol (Hohol Mykola, em ucraniano), um dos mais importantes autores da literatura russa nasceu em 1 de abril de 1809 em Velyki Sorochyntsi, Ucrânia, e morreu em 4 de março de 1852 em Moscou. Gógol cultivou vários gêneros literários com maestria, o conto, a novela, o teatro. Seus contos têm muito de observação da vida ucraniana. Sua relação com a Ucrânia é, no entanto, controversa. Suas obras mais conhecidas são Taras Bulba, O Inspetor Geral e Almas Mortas. Entre os contos, Leia mais

A língua “errada e rude”de Sancho Pança

2 minutos No cap. XIX da segunda parte de Dom Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura adverte Sancho Pança, em razão de o escudeiro normalmente pronunciar as palavras de forma diferente das de um cavaleiro. Sancho diz, por exemplo, ‘vocabos’ em vez de ‘vocábulos’. O fidalgo se irrita com Sancho e chega a chamá-lo de “prevaricador da boa linguagem”. O fiel e humilde escudeiro não deixa por menos e responde ao da Triste Figura: – Não se irrite vosmecê comigo, pois sabe que não Leia mais