Língua

Um dos mais belos sermões de Vieira

11 minutos Quando eu era estudante do que corresponderia hoje ao Ensino Fundamental II e Médio, minhas professores (curiosamente todas eram mulheres) nos faziam ler os Sermões do Padre Vieira. Confesso que, para a garotada, os assuntos dos Sermões podiam não ser os mais palpitantes; mas quando eu lia os Sermões do Vieira, ficava encantado sobretudo pela forma como ele usava a língua para comunicar algo. Eu ficava “babando” ao perceber o raciocínio lógico que ele usava para convencer por meio do Sermão. A Continue lendo

O conge do Moro

3 minutos Preliminar: não estou defendendo Moro. Tenho sérias restrições a várias decisões e atitudes por ele tomadas como juiz e como ministro. Sobre o episódio do “conge”, li manifestações que condenavam o ex-juiz não só pela pronúncia mas também por ter usado essa palavra. A alegação era que se trata de palavra esdrúxula e própria do jargão jurídico, portanto não conhecida de grande parte da população. Li comentários sugerindo que o ministro usasse as palavras “mulher”, “companheira” e outras que nem vale gastar Continue lendo

Ambiguidades

8 minutos Notícia publicada na Folha de S. Paulo, edição de 28 de março, p. C8, me obriga a retomar assunto já discutido nesse espaço. Para quem não teve a oportunidade de ler o post anterior, retomo alguns conceitos lá apresentados. O título da notícia publicada na Folha de S. Paulo a que me refiro é: Obra roubada de Picasso é entregue em saco de lixo. Se o leitor se restringir à leitura do título poderá ficar em dúvida se o objeto do roubo Continue lendo

Paternidade

3 minutos No artigo, discorro sobre a palavra paternidade. Trata-se de um vocábulo, como grande parte de nosso léxico, procedente do latim: paternitate. Na passagem do latim para o português o t intervocálico (um fonema linguodental oclusivo surdo) se sonoriza e se transforma em d: paterniTaTe se transforma em paterniDaDe. Em Latim, paternitate é “sentimento de pai”, ou seja, não se aplica necessariamente ao pai biológico, mas àquele que mantém com relação a outrem sentimento de pai, tanto que o substantivo paternidade, precedido de Vossa, é usado para tratamento a religiosos: Dirijo-me Continue lendo

Anáfora

4 minutos No último post, tratei dos dêiticos, que não devem ser confundidos com os anafóricos, assunto deste artigo. De modo geral, a função do dêitico é mostrar algo, enquanto a da anáfora é lembrar algo. A palavra anáfora provém do grego (ana-“‘para trás” + phorá “ação de levar, trans- portar”, de phoréo “levar”). Seu sentido etimológico (levar para trás) coincide de certa forma com o que essa palavra é empregada nas ciências da linguagem que conceituam anáfora como uma relação de referência a Continue lendo