Pré-requisito ou Prerrequisito?

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Nesta crônica, publicada anteriormente em minha página no Facebook, faço algumas considerações sobre as angústias pelas quais as pessoas passam quando têm de escrever alguma palavra em que o hífen deveria ser empregado ou não. Confesso que as dúvidas quanto ao emprego do hífen sempre existiram. Com o tempo as pessoas foram se acostumando a usar corretamente esse sinal, até que veio o Acordo Ortográfico e o caos se instalou. Ninguém mais sabe ao certo se devemos escrever infanto-juvenil ou infantojuvenil. Sempre escrevi pré-requisito (com hífen), de repente vejo que num texto meu mudaram o meu velho e bom pré-requisito para prerrequisito. Achei estranho e fui conferir. O fato deu origem à crônica.

Recebi da editora os originais de um livro que será publicado brevemente com algumas dúvidas para que eu resolvesse. Percorrendo o texto, observei que alteraram a grafia de uma palavra que escrevi. Tinha escrito pré-requisito (com hífen) e trocaram para prerrequisito (sem hífen). Confesso que nunca soube as regras de emprego do hífen. O Acordo Ortográfico veio aumentar ainda mais a minha ignorância crônica na matéria. Achei a grafia prerrequisito estapafúrdia, esquisita, esquipática. Além de tudo, horrorosa. Mas se tiraram o meu pré-requisito e botaram no lugar o prerrequisito deles é porque o Acordo deve ter mudado a grafia do pré-requisito que me acompanha desde que botei a bunda numa carteira escolar há muito tempo.

Prerrequisito

Não me conformando com a bizarrice provocada pela ausência do sinalzinho unindo o pré ao requisito, fui conferir. No Volp está lá PRERREQUISITO. No Houaiss, idem. Porém, sempre tem um porém, a forma com o hífen continua valendo e está lá registrada e sacramentada, tanto no Volp quanto no Houaiss. Aí eu me pergunto: se pré-requisito é correto e consagrado há tempos e já faz parte da nossa memória visual, por que trocar para a forma esdrúxula prerrequisito? Só há uma resposta possível: trata-se uma forma sádica de editores e revisores exercerem o seu sadismo sobre leitores e autores. Sadismo por sadismo, acho mais interessante ler os 120 dias de Sodoma, do Sade

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