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Neste artigo, apresento, em rápidas palavras, a distinção entre uso e menção. Comecemos comparando as duas sentenças a seguir.
1. Qual o significado da vida?
2. Qual o significado de “vida”?
Na primeira, temos uma pergunta de natureza filosófica ou religiosa, cuja resposta é bastante complexa. O falante pretendeu dizer algo como O que é a vida?.
Na segunda, a pergunta incide sobre a palavra vida. O falante pretendeu dizer algo como Qual o significado da palavra vida?.
Na primeira, a palavra vida está sendo usada; na segunda, está sendo mencionada. Nos textos escritos, a menção a uma palavra costuma ser marcada por recurso gráfico (aspas ou itálico).
A distinção entre uso e menção nos ajuda a entender a diferença entre semântica e pragmática. A primeira tem se preocupado com a menção, ou seja, seu objeto tem sido as formas linguísticas fora de seus contextos de uso. Preocupa-se, pois, com o significado das palavras e sentenças.
Cabe à pragmática, tratar da significação das formas linguísticas em relação a seus usuários. Quando tratamos das relações entre as expressões linguísticas, abstraindo a questão do significado estamos no domínio da sintaxe.
Para Bernard Charlot (Da relação com o saber. Ed. Artmed), “Um enunciado é significante se tiver um sentido (plano sintático, o da diferença), se disser algo sobre o mundo (plano semântico, o da referência) e se puder ser entendido em uma troca entre interlocutores (plano pragmático, o da comunicabilidade)”.
A separação entre uso e menção nos possibilita fazer uma outra distinção importante: língua-objeto e metalinguagem. Os estudiosos da língua (linguistas, filólogos, gramáticos,semanticistas) deparam-se com um problema: a língua é ao mesmo tempo seu objeto de estudo e aquilo que é usado para descrevê-la. Em outros termos: o estudioso usa a língua para descrever a própria língua.
A língua que se pretende descrever é o que denominamos de língua-objeto, ao passo que a que utilizamos para explicar a língua-objeto denomina-se metalinguagem. Um livro de gramática e um dicionário são exemplos típicos de uso metalinguístico da língua.
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