Língua

A teoria dos atos de fala de John Austin e a linguagem jurídica

8 minutos Fui convidado pela Profa. Dra. Clarice Assalim a dar uma palestra para alunos da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Embora tenha formação em Direito, área em que cheguei a me formar, minha atuação profissional sempre esteve ligada à linguística e, mais recentemente, à semiótica discursiva. Que contribuição eu, como estudioso da linguagem e do discurso, poderia dar a estudantes de Direito? Imediatamente me ocorreu falar para eles sobre a linguagem em uso e me lembrei da Teoria Continue lendo

Nesciência ou ignorância?

3 minutos Na semana passada, postei em minha página no Facebook texto em que discuto o sentido das palavras nesciência e ignorância. No artigo mostro que a diferença está diretamente ligada à modalidade epistêmica do dever saber, entre o obrigatório e o não obrigatório. Como várias pessoas me pediram autorização para reproduzir o artigo, optei por colocá-lo no blogue, na medida que este espaço não tem a efemeridade da linha do tempo da rede social. Segue então o post como apareceu no Facebook em Continue lendo

Trabalhei feito um mouro ou moura?

4 minutos Escrevi este artigo há um ano em resposta a uma pergunta feita pela querida amiga Silvia Souza, companheira nos bancos das Arcadas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Diz Silvia que sua mãe também usava a expressão “trabalhei feito um mouro” e pergunta se não seria “trabalhei feito uma moura”. Já tratei desse assunto num post anterior e convido os leitores a darem uma olhada em Queridxs amigxs. Sei que  vou mexer num vespeiro, correndo o risco de me acusarem de preconceituoso. Continue lendo

Vagueza: imprecisão semântica

5 minutos Em posts anteriores tenho comentado sobre a significação de palavras. Comecei discutindo o conceito de palavra, depois falei em antônimos, hiponímia, hiperonímia, ambiguidades (para ler sobre esses temas, clique nos links). A questão das ambiguidades remete à vagueza de certos enunciados. Numa perspectiva referencial, o sentido é dado por uma relação entre linguagem e mundo. Ao ouvirmos sequências sonoras como peixe, alface e sapato, as associamos, no mundo extralinguístico, respectivamente um tipo de animal vertebrado aquático, a um vegetal comestível, geralmente em saladas, e Continue lendo

Língua e decreto

3 minutos   Projeto de Lei (PLS 332/2017) do senador Roberto Requião (MDB) propõe acabar com o “Vossa Excelência” e todos os outros pronomes de tratamento direcionados às autoridades, com exceção das palavras “senhor” e “senhora”. No rol dos excluídos, está também o “doutor”, “doutora”. Neste post, atenho-me ao uso dos substantivos doutor, doutora.  Essa palavra provém do latim: doctor, oris, que, por sua vez, liga-se ao verbo docere, cujo sentido é ensinar. Isso é bem claro quando se observa em português a palavra Continue lendo