Algumas reflexões sobre erro

5 minutos Há um certo tipo de pessoa que se põe no papel de guardião da língua. São indivíduos que, por terem recebido educação formal, acham que podem opinar sobre questões de língua, embora não tenham nenhum conhecimento linguístico. O pior é que os grandes veículos de comunicação dão guarida a essa gente que vive a apontar erros na fala dos outros e a ditar regras sobre o que é certo ou errado em matéria de língua. Os próprios jornais são extremamente críticos em Leia mais

Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov

1 minuto Neste post, falo de Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov, publicado no Brasil pela Editora 34, com tradução de Denise Sales e Elena Vasilevich. A apresentação é de Boris Schnaiderman e o prefácio é de Irina P. Sirotínskaia. Neste livro, há 33 contos de Varlam, cujo nome verdadeiro era Varlaam, (ele tirou um a do nome), o equivalente russo a Balaão, personagem bíblico. Varlam era filho de sacerdote. Foi preso no regime stalinista. O número 33 não é por acaso. São contos em que Chalámov relata Leia mais

Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso e a interdição do incesto

6 minutos São vários os temas presentes em Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso (1912 – 1968), publicada em 1959 e considerado um importante romance de nossa literatura. Neste artigo, centro-me no tema das relações interditas, especialmente o incesto. Vou me ater particularmente em comentar as palavras interdição e incesto, esperando, com isso, trazer alguma contribuição a quem já leu ou ainda for ler a obra. INTERDIÇÃO Começo pelo lexema interdição. Nele, podemos ver um programa narrativo. Essa palavra tem sua origem no latim Leia mais

Tempo de espalhar pedras, romance de Estevão Azevedo

1 minuto Li, por indicação do amigo e estudioso de Clarice Lispector, Thiago Cavalcante Jeronimo, Tempo de espalhar pedras, de Estevão Azevedo (CosacNaify, 2014, 288p.), vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2015. O título dialoga com Eclesiastes. Sim, há um tempo para tudo e o tempo nos dá existência. O romance de Azevedo, narrado em terceira pessoa, situa a ação num tempo passado e num espaço não definido, uma vila de garimpeiros no interior do Brasil. Na contramão das tendências do moderno romance Leia mais

Um conto antológico: Plebiscito, de Artur de Azevedo.

6 minutos Quando estava no que seria hoje o Ensino Fundamental II, li pela primeira vez o conto Plebiscito, de Artur de Azevedo (1855-1908). Perdi a conta de quantas vezes na vida reli esse conto, porque, como constava nos livros escolares, podia lê-lo todas as vezes que quisesse. Acho muito improvável encontrar uma pessoa da minha geração que não tenha lido essa pequena obra-prima. Plebiscito tem características de um conto dramático, na medida em que o narrador dá voz a personagens que, por meio Leia mais